
ACADÊMICOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA FAZEM VISITA TÉCNICA EM OBRAS DE RESTAURO
Um grupo de alunos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil da UNICRUZ, esteve realizando uma visita técnica em obras de restauro e rearquitetura, no território urbano do município de Cruz Alta considerado por especialistas e docentes, como “polígono de bens tombados” – localizado no cruzamento das avenidas General Câmara e General Osório. A experiência acadêmica foi proporcionada pelas professoras Gabriela Soares, Natália Eckert e Émille Schmidt Gaklik, na tarde de quarta-feira, dia 26/08.
Foi uma imersão pedagógica para os acadêmicos dentro do mês de agosto, considerando a passagem do Dia Nacional do Patrimônio Histórico – instituído no dia 17, e o transcurso dos 205 anos de fundação de Cruz Alta – no dia 18. Mais do que proporcionar aos estudantes refletir sobre a importância de proteger os bens materiais, como prédios e monumentos, a visitação mexeu com elementos fundamentais com foco no futuro profissional de cada um.
A primeira obra visitada foi por demais curiosa e atrativa, reunindo duas situações: restauro e rearquiteura. Este último, um sistema técnico de intervenção em um edifício existente que dialoga com o passado, fazendo uma nova obra e mantendo o imóvel em seu estado original. Isso vem acontecendo desde novembro de 2024, no casarão histórico da família Dumoncel, cuja existência é estimada em data anterior ao ano de 1941. O prédio está localizado na avenida General Câmara, em posição frontal ao Museu Erico Verissimo.
O grupo de acadêmicos teve como guia da visitação o engenheiro Wendel Lucena, integrante da equipe técnica da empresa Marbo Engenharia, que tem sua matriz em Pelotas e foi contratada para execução do projeto. O engenheiro detalhou as intervenções que foram feitas de forma cronológica – desde a limpeza do terreno, estacas e muro de contenção, como suporte da parte estrutural do prédio, entre muitas outras..
De acordo como o engenheiro Wendel Lucena, houve um cuidado especial em preservar o casarão mantendo sua fachada original e a maioria dos cômodos com suas paredes internas – medindo surpreendentes e incomuns 50 centímetros de espessura. A parte do casario está recebendo restauro para abrigar as áreas administrativa da nova Agência do SICREDI, mais um espaço cultural que ainda está em definição, muito provavelmente para montagem de um museu ou exposição de peças do acervo histórico do banco cooperativo.
UM ANEXO GIGANTESCO –
Na parte anexa ao fundo do casarão Dumoncel – é que se revela uma obra de dimensões extraordinárias, dividida em dois andares: subsolo e térreo. São mais de 1.800 metros quadrados de obra construída. O acesso aos veículos na agência vai se dar pelo lado esquerdo, enquanto outros clientes ingressam pela lateral direita, com rampa de acessibilidade e escadaria para o nível superior da agência. O espaço de atendimento ao público é projetado para receber um grande fluxo de pessoas, em ambientes amplos e, ao mesmo tempo, integrados.
A união da estrutura antiga e a estrutura nova – foi um dos grandes desafios para a equipe técnica da Construtora Marbo Engenharia, especialmente pelas condições de confinamento do trabalho entre as duas edificações. Todas as etapas de restauro e rearquitetura impuseram muitas dificuldades operacionais. De acordo com o engenheiro da construtora pelotense Wendel Lucena, quando ele sair aqui de Cruz Alta, vai levar o conhecimento de várias experiências adquiridas.
RESTAURO NO MUSEU –
A casa/museu do escritor Erico Veríssimo – classificada e tombada pelo IPHAE como bem patrimonial de relevância histórico-cultural, foi construída pelo avô do escritor (Franklin Veríssimo) no ano de 1883. Desde o ano de 1968 pertence a Prefeitura Municipal e em 1986 foi transformada em museu. Neste momento, o prédio passa por um processo de restauro com dotação orçamentária de R$ 430 mil reais, do Ministério do Turismo. Temporariamente, o museu foi transferido para o casarão histórico da família Pereira da Veiga, localizado na rua Mariz e Barros esquina Venâncio Aires (ao lado da Livraria Centenária).
A visita guiada pela Casa/Museu Erico Verissimo teve, na recepção aos acadêmicos, a presença da Secretaria Municipal de Planejamento e Assuntos Estratégicos Bárbara Vieira Nogueira e o Arquiteto e Urbanista Alisson Maidana. Ambos comentaram sobre as normas que são impostas e fiscalizadas pelo instituto IPHAE, periodicamente, com exigência de relatórios de todas as intervenções. A secretária Bárbara comentou que, entre outras exigências técnicas, está a fidelidade às cores originais do prédio, sem alterar a percepção da imagem, tendo como ponto cave a preservação da edificação de relevância histórica e cultural do município.
Dentre as etapas previstas para o restauro, a acessibilidade para o museu terá a instalação de uma plataforma elevatória, a partir da calçada até o corredor lateral, onde uma rampa vai conduzir à porta de acesso principal. Chamou a atenção dos acadêmicos da Unicruz, um corte em detalhe na parede da casa – que expõe uma técnica antiga conhecida pelo nome de estuque. “A parede de estuque sobre fasquiado de madeira, também denominada de tabique estucado, era uma técnica comum no final do século XIX”, explicou a secretária Bárbara Nogueira.
A Coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo professora Gabriela Soares, reforçou que esta técnica foi utilizada pelos construtores da época, por que conferia isolamento térmico e durabilidade. Visualizar esses padrões proporciona aos acadêmicos dos Curso de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil, uma vivencia fora do ambiente acadêmico, voltada as experiências práticas do canteiro de obras, formando futuros profissionais que aliam desta maneira os conhecimentos teórico e prático mais necessários para ambas as áreas.
FOTOS RELACIONADAS –
– Visita no casarão Dumocel e área de rearquitetura da nova Agência Sicredi
– Obras de restauro na casa/museu Erico Veríssimo
– Detalhe na parede revela a técnica de estuque do século XIX.
