VI GIRO TÉCNICO DA AGRONOMIA

VI GIRO TÉCNICO DA AGRONOMIA

GIRO TÉCNICO DA AGRONOMIA ACRESCENTOU VÁRIOS

CONTEÚDOS NA FORMAÇÃO ACADÊMICA PRESENCIAL

 

Aula de agronomia tem que ter terra, Sol, contato direto com o solo e as plantas, por que mesmo com todas as aulas teóricas e seus importantes conteúdos, nada substitui as práticas culturais essenciais nesse fascinante processo de aprendizado. Essa foi uma das lições em defesa do ensino presencial que se tirou durante a abertura do 6º Giro Técnico, promovido pelo Curso de Agronomia da Unicruz, na área experimental do campus universitário, durante toda a manhã do último sábado, dia 28 de março.

Este ano, em sua sexta edição, o Giro Técnico da Agronomia, aprofundou conhecimentos e práticas em cima de uma das fases mais importantes da implantação de uma lavoura: a semeadura. Ao ponto do Coordenador do Curso de Agronomia professor José Luiz Tragnago, afirmar ser ela a primeira e a mais importante etapa do processo produtivo, seja qual for o tipo de cultura agrícola: milho, trigo ou soja.

“As outras práticas ao longo da cultura não são menos importantes, mas a largada – na minha convicção – é onde se define o potencial produtivo” afirmou o agrônomo e pesquisador que completou em 2025, 50 anos de uma carreira dedicada à pesquisa em programas de melhoramento genético, difusão tecnológica e docência acadêmica. Seu compromisso com o ensino, a pesquisa e o desenvolvimento regional, foi motivo de homenagem durante a Fenatrigo, em outubro do ano passado, com a entrega do troféu Trigo de Ouro.

GIRO TEVE 18 ESTAÇÕES –

A sexta edição do Giro Técnico foi formatada e distribuída em 16 estações, espalhadas pela Área Demonstrativa – onde os alunos de diferentes semestres do Curso de Agronomia, circularam uma estação após outra como assistentes das apresentações. Na primeira delas, o professor Tragnago fez uma exposição de equipamentos agrícolas utilizados na primeira metade do século passado como o saraquá e a matraca. Alguns alunos, especialmente os iniciantes do curso, ainda não tinham conhecimento desses instrumentos de trabalho, que ainda hoje são utilizados em áreas dobradas de minifúndio, com acentuada declividade.

Os primeiros experimentos realizados no Brasil, para o melhoramento genético de culturas como o feijão e o girassol, por exemplo, foram plantados ainda de forma rudimentar com esses equipamentos – afirmou o professor da Unicruz. Isso garantiu, segundo Tragnago, a necessária uniformidade de semeadura, que vale para o cultivo manual de pequenas áreas ou pelo sistema mecanizado das grandes lavouras, que temos atualmente. “A semeadura é tão essencial que permite afirmar que no caso do milho, quando se perde uma planta por falha de germinação, se perde uma espiga”, explicou.

“Cerca de 80% do potencial produtivo de uma lavoura está na semeadura e na emergência uniforme das plantas” garantiu José Luiz Tragnago. Questionado sobre a necessidade de replantio motivado por questões climáticas, como tem sido recorrente na soja em função das últimas estiagens, o professor respondeu que é uma alternativa para minimizar as perdas irreversíveis. Mas, como se trata de algo totalmente emergencial, a operação de replantio não responde com igual uniformidade e potencial produtivo – a primeira instalação.

CANTEIRO COM A ‘CAMPEÃ DE PRODUTIVIDADE” –

Nas estações 8 e 9, chamou a atenção os canteiros que foram cultivados para os acadêmicos observarem a importância da utilização de sementes certificadas e a tecnologia de cada material, numa comparação de genótipos. A apresentação foi dos alunos Carlos Henrique Costa, Eduardo Librelotto, Thomaz Hörz e Leonardo Van Ass, num total de oito cultivares, representando alguns materiais antigos e outros mais novos, com três ou quatro anos no mercado.

O Giro Técnico tem essa peculiaridade em provocar os acadêmicos para – através dessa percepção presencial, visualizarem as situações adversas que interferem na ciência agronômica. Como é o caso dos canteiros serem cultivados e não receberam nenhum manejo, ficando expostos ao ataque de pragas – como o percevejo, de doenças – como o oídio, e de invasoras – como as plantas daninhas. Tinha de tudo. Mas era para ser exatamente assim – como pedagogia do ensino presencial.

Entre as oito cultivares semeadas nos canteiros da Estação 8, a placa adesivada com a inscrição GH5933 IPRO, não denunciava o material que ali estava germinado e com um porte relativamente bem desenvolvido. Tratava-se da cultivar “Campeã Nacional de Produtividade na Safra 2023/2024”, conforme declaração do comitê CESB/Comitê Estratégico Soja Brasil”, por alcançar mais de 100 sacos por hectares – em áreas da região noroeste do Rio Grande do Sul. De acordo com os acadêmicos do 10º semestre, está variedade está saindo dos multiplicadores e já tem uma procura impressionante no mercado.

ENTIDADES PARCEIRAS –

O sexto Giro Técnico da Agronomia foi organizado pelo curso de Agronomia da Unicruz, mas contou com a participação de entidades parceiras como a Comissão Jovem do Sindicato Rural, que colaborou na recepção, inscrição e organização das turmas visitantes, mais a equipe do Escritório da Emater – com apresentação do trabalho da extensão rural que desenvolve no meio rural do Município.

Nas demais estações, foram apresentados por professores e alunos diferentes temas que fazem parte da curricularização da extensão acadêmica e perpassam por todos os semestres – do início à formação dos universitários: manejo conservacionista, silvicultura, olericultura, fitopatologia, fisiologia vegetal, pedologia, fertilidade, plantas daninhas, paisagismo, floricultura, fruticultura, entre outros temas transversais do Curso de Agronomia. O próximo Giro Técnico da Agronomia (sétimo) está previsto para o mês de outubro, em data a ser confirmada.