
AULA INAUGURAL DE AGRONOMIA
PESQUISADORES PALESTRARAM SOBRE SOLO E
FISIOLOGIA NA AULA INAUGURAL DE AGRONOMIA
A Aula Inaugural do Curso de Agronomia da Unicruz foi uma experiência que compartilhou importantes conhecimentos, colocando diante de um público formado por 155 acadêmicos, dois pesquisadores renomados da área técnica da CCGL, para abordar dois temas fundamentais na cadeia produtiva de culturas como a soja, milho e trigo: fertilidade do solo e fisiologia das plantas. A aula inaugural aconteceu na noite de quinta-feira (09/abril) no salão nobre do campus universitário.
O evento prometeu e entregou uma abordagem técnica, atual e indispensável para quem busca conteúdo e motivação para os anos acadêmicos que vem pela frente. A aula inaugural teve na primeira intervenção, a participação do agrônomo José Fink, abordando o tema “A Agricultura Gaúcha e o Manejo dos Solos”. Depois, foi o agrônomo Gabriel Hintz que trouxe a palestra sobre “Ecofisiologia Vegetal Frente as Alterações Climáticas”.
Antes de entrar em definitivo para a parte técnica da Aula Inaugural, a Reitora Sirlei de Lourdes Lauxen fez uma saudação de boas-vindas para os novos acadêmicos de Agronomia que ingressaram na Unicruz. Sirlei desejou aos alunos que tenham sucesso e se dediquem ao máximo para se qualificar para o mercado de trabalho. O Coordenador do curso professor José Luiz Tragnago falou que ser diplomado pela Unicruz carrega uma formação consolidada de excelência profissional, à exemplo de milhares de egressos que atuam em regiões agrícolas do Brasil e da América Latina.
O FUTURO PASSA PELA FERTILIDADE –
A primeira palestra começou de forma impactante com a projeção da seguinte frase no painel: “80% das propriedades rurais vão desaparecer até 2100”. De acordo com o pesquisador e agrônomo José Fink, os 20% que permanecerem no meio rural vão ser aquelas mais tecnificadas, onde o diferencial passa pelo manejo do solo (água e fertilidade) com potencial para dobrar a produtividade. Para ele é preciso uma correção de rumos, refutando que o aumento de custo não tem relação com o lucro. “Gastar melhor é uma coisa, gastar mais é outra” – questionou o palestrante.
Natural de Porto Lucena, José Fink viveu na propriedade de 9,5 hectares da família até sair em 2005 para fazer o curso de Agronomia. O que justifica o chapéu de palha colonial que ele usa de forma performática durante as palestras, mostrando com orgulho de onde veio. Mas, foi em 2007, ao estudar com profundidade os conceitos envolvendo fatores químicos, físicos e biológicos – a fertilidade dos solos, transformou para sempre a sua vida, apontando um caminho fascinante que tem, em sua medida, a sua compulsão profissional.
“A análise do solo é fundamental para agricultura, diante do processo seletivo previsto para acontecer até o ano de 2100” avaliou o agrônomo. Fink declara com segurança que “aquilo que nos até aqui, não é mais o que vai nos para o próximo nível”. Numa pesquisa entre produtores, a data de semeadura foi apontada como a mais importante – enquanto a pesquisa indica que, na verdade, a nutrição/fertilidade do solo, está bem à frente, seguida dos tratos culturais (fungicida e herbicida). Ao final, afirmou que é preciso elevar o PH dos solos e produzir mais raízes, para que a produtividade venha da capacidade de absorção de nutrientes.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS MUDAM TUDO –
O pesquisador Gabriel Hintz trouxe, assim como seu colega José Fink, dados que vão exigir dos produtores mudanças de comportamento – como a adoção de novos métodos de cultivo e tecnologias, para superar as alterações climáticas que já chegaram e as que ainda estão por vir. A temperatura máxima média no estado do Rio Grande do Sul no mês de fevereiro teve um incremento de 1,2 graus nas últimas quatro décadas (1980/2020). Além de ser um mês crítico para a cultura da soja, o aumento de temperatura acarreta também em maior demanda hídrica pelas culturas.
Enquanto aumenta a temperatura, a demanda por água cresce na mesma proporção. Dentre as 18 principais regiões produtoras de soja na Argentina, Brasil e Estados Unidos, o Rio Grande do Sul surge como a segunda região mais impactada pelo clima, com uma atribuição de 50% da variabilidade da produtividade vindo do clima. O que vem nesse arrasto, segundo o agrônomo Gabriel Hintz, é o que a pesquisa define como variabilidade, ou seja, a produtividade por um lado vem aumentando junto com uma instabilidade produtiva influenciada pelo aquecimento.
Safra após safra, isso só traz dúvidas e incertezas para os produtores. “É preciso fazer uma leitura correta para entender o período crítico de cada cultura”. No trigo, um pouco antes do florescimento, no milho em pleno florescimento e, na soja, no início do enchimento de grãos. De acordo com o pesquisador, estamos caminhando para a aceleração das safras, isso implica que o aumento da temperatura vai: reduzir o ciclo e antecipar a colheita.
“A temperatura é o player tão importante quanto a precipitação no que diz respeito a produção vegetal. Todos os envolvidos na gestão das propriedades e nos processos produtivos, sejam técnicos ou agricultores, devem estar muito atentos a isso” – advertiu o pesquisador.
A pesquisa agrícola desenvolvida nas áreas experimentais e laboratórios da CCGL, estão conectadas com a realidade do produtor e a sistemas de produção sustentáveis – afirmaram os palestrantes José Fink e Gabriel Hintz, no espaço dedicado às perguntas dos acadêmicos. O coordenador do Curso de Agronomia professor José Luiz Tragnago, deu encerramento a Aula Inaugural, destacando o conteúdo técnico mostrado nos dois painéis e as informações atualizadas à realidade do produtor e a sistemas de produção sustentáveis.
