FALA, MESTRE!

Professor Regis Deuschle: farmacêutico e cosplayer nas horas vagas.


O docente da Unicruz Regis Augusto Norbert Deuschle, mestre em Ciência e Tecnologia Farmacêuticas, conta os desafios enfrentados e como sua formação ajuda na hora de confeccionar as fantasias.

Comecei meu envolvimento com cosplay em 2012. Tive um hiato, mais ou menos prolongado, de 2014 a 2016, e retomei no ano passado, em 2017. Na verdade, considero-me até mais cosmaker do que cosplayer, porque grande parte da minha motivação está mais na manufatura em si do que propriamente no uso de um traje.

Meu interesse por cosplay surgiu por conta própria. Sempre gostei de processos criativos em geral e, em especial, de artes visuais. Já gostava de desenhar e esculpir na vida privada, e o mundo geek foi uma oportunidade de aplicar esses gostos de uma forma direcionada, em um universo de ficção que me agrada. Minha primeira fantasia foi o traje do Batman, pela facilidade. E a grande lição foi de que a facilidade era apenas relativa. Mas, o desafio me motivou mais ainda, pois percebi, logo de cara, que é necessário empregar muito mais dedicação do que se imagina para a resolução dos problemas que surgem durante uma manufatura. Considero que grande parte do prazer está justamente aí: no próprio manufaturar e na resolução de cada pequena dificuldade que aí vai aparecendo.

No cosplay de Batman, demorei em torno de dois meses, apenas na confecção das peças da armadura. A máscara em si, entre esculpir e produzir a primeira cópia em látex, em torno de três semanas. Os tempos de produção variam muito, muito mesmo: dependem do tempo livre que tenho, assim como dos percalços que aparecem durante a própria manufatura, pois problemas novos podem exigir mais ou menos tempo na sua resolução. A limitação de materiais – e, consequentemente, a pesquisa sobre os que estão disponíveis e sua provável encomenda – também restringe um pouco o tempo.

Minha formação em Farmácia ajudou e muito na hora de confeccionar as fantasias, por mais paradoxal que possa parecer, o curso tem uma base muito sólida em química e em física, que, por sua vez, tem uma profunda relação com as propriedades dos materiais. Esses conhecimentos não só me ajudaram, como até hoje me auxiliam em várias circunstâncias, da produção ao acabamento. São especialmente úteis nos processos de modelar e replicar as peças através de moldes ou de fôrmas. Inclusive, eu sempre costumo dizer algo para quem me pergunta como fazer para produzir um item x ou y: primeiro, escolha um material para fazer essa peça ou traje; depois,  familiarize-se com ele. Cada material tem uma sua curva de aprendizado, suas vantagens e suas limitações. Conhecendo-o bem, é possível tirar dele resultados que você não  imaginaria ao vê-lo, inerte, numa prateleira.

 

Legendas:

Cosplayer: O termo cosplay vem da junção de duas palavras em inglês: costume (fantasia) e play (brincadeira). De maneira resumida, é a prática de se vestir de seus personagens favoritos, seja de séries, filmes, RPGs, jogos ou mangás.

Cosmaker: É um profissional responsável pela criação de cosplays e acessórios dos mais variados tipos.

Mundo geek: Assuntos relacionados a tecnologia, computadores, games, RPGs, livros de fantasia e de ficção científica, séries, mangás.