DEPRESSÃO E ANSIEDADE ESTÃO EM ALTA, E ISSO NÃO É NADA BOM

Um mal que atinge milhões de pessoas no mundo todo.


A depressão é uma doença psiquiátrica multifatorial que envolve, além de questões genéticas, aspectos sociais, emocionais e neurobiológicos. Trata-se de um distúrbio afetivo crônico e recorrente que atinge a autoestima das pessoas, provoca tristeza, sentimento de inferioridade, afeta diversas áreas químicas do cérebro, causa alteração de humor, de sono e de apetite.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para o crescente número de pessoas com essa enfermidade.

Os registros da doença e dos transtornos causados por ela aumentam consideravelmente a cada ano. Segundo a OMS, 5,8% dos brasileiros sofrem com a depressão, o que representa uma fatia populacional de 11,5 milhões de pessoas. Os dados registrados sobre o Brasil nos colocam em situação de destaque, com o maior índice das Américas, ficando atrás somente dos EUA, que apresentam números em torno de 17,4 milhões de casos.

Os dados apresentados pela OMS são de 2015, o que leva a ponderar o aumento dos números registrados. Outro problema de saúde mental que cresce de forma preocupante no país e pega carona com a depressão é o transtorno de ansiedade. O Brasil registra um número alarmante de pessoas com essa característica – em torno de 18,6 milhões pessoas sofrem com o problema.          Um dado curioso em tudo isso é que a depressão e os transtornos oriundos dela se mostram cada vez mais frequentes na população mais jovem, e os reflexos da doença também já são perceptíveis no meio universitário.

Estudos recentes realizados no Brasil por diversas Instituições de Ensino Superior (IES) tais como as universidades federais de Minas Gerais e do Piauí apontam algumas das possíveis causas da depressão no meio universitário. Segundo estudiosos, o jovem, ao ingressar no mundo acadêmico, se depara com um universo completamente desconhecido. Muitas vezes, ele também está longe do seu ambiente familiar, precisa enfrentar conflitos, insegurança emocional, dificuldades financeiras e carga excessiva de estudos na universidade. Muitas IES já perceberam a gravidade da situação no meio acadêmico e estão buscando alternativas para amenizar a situação, disponibilizando apoio psicológico aos alunos.

A Universidade de Cruz Alta, há pouco mais de um ano, oferece aos estudantes e professores uma importante estrutura de atendimento, a qual tem como principais focos a orientação pedagógica, o suporte psicopedagógico e apoio psicológico. O Núcleo de Apoio ao Estudante e ao Professor (Naep) acompanha os processos acadêmicos dos estudantes e, entre os atendimentos oferecidos, estão: apoio psicopedagógico, que auxilia na identificação das dificuldades de aprendizagem, orientação de hábitos de estudo e aplicação de instrumentos de avaliação direcionados às dificuldades de concentração, memória, raciocínio, entre outros; atendimento psicológico, no qual é oferecido o acolhimento inicial, o apoio emocional e os devidos encaminhamentos para a rede de saúde mental e suporte pedagógico aos docentes da instituição acerca de metodologias, estratégias de ensino e avaliação.         

De acordo com a psicóloga Daniela Oliveira, que trabalha no setor, a procura pelos atendimentos está crescendo gradativamente, o que vem ao encontro da proposta e do compromisso da Instituição com a qualidade de vida acadêmica do estudante e do professor.

 

Estrutura do Naep

O setor conta atendimento de:

Psicóloga

Pedagoga

Psicopedagoga

Os atendimentos são realizados individualmente em uma sala reservada para maior tranquilidade de quem busca auxílio no setor.

 

Resultados satisfatórios e números expressivos em 2017

- Atendimentos psicológicos 112

- Atendimentos psicopedagógicos 112

A psicopedagoga Márcia Gomes, que atua junto ao Naep, relata que os estudantes buscam atendimento no setor quando não estão conseguindo acompanhar as disciplinas em sala de aula. Alguns apresentam déficit de aprendizagem; outros, dificuldades de atenção e concentração. Muitos dos alunos atendidos não imaginam ter o problema de aprendizagem e, em alguns casos, os déficits vêm de uma vida inteira sem diagnóstico. Márcia também auxilia os universitários a organizarem suas rotinas, para que eles adquiram o hábito de estudo: fazer um mural com horários de aula, com as datas para a entrega dos trabalhos e das avaliações são algumas sugestões, assim como organizar o ambiente onde costumam estudar. São rotinas simples, mas que fazem toda diferença.

 

 Caso

O Estudante J.G., de 21 anos, que cursa Agronomia, começou a apresentar dificuldades para acompanhar as disciplinas em sala de aula. Ele percebeu que seu rendimento caiu e chegou a pensar em desistir de estudar. Também relatou que, em toda sua vida estudantil, sempre foi muito disperso e que qualquer coisa o distraía em sala de aula; no entanto, nunca chegou a pensar que isso poderia ser um problema de déficit de atenção e de aprendizagem. Ele sequer imaginava que o tinha:só ficou sabendo quando foi encaminhado ao Naep, depois de suas inquietações. O diagnóstico feito pela psicopedagoga foi certeiro, e o jovem começou a ser atendido pelo setor. Diversos encontros foram realizados e algumas dinâmicas foram aplicadas com a intenção de ajudar o acadêmico a melhorar a sua atenção e a concentração. Nesse processo, ele aprendeu a organizar a sua rotina de estudos, buscando o melhor horário para estudar e aprendendo a arrumar o seu ambiente de trabalho.

“J. relata que hoje a vida está bem melhor. “Tudo que eu aprendi nos encontros com a psicopedagoga e com a psicóloga do setor me ajudou a encarar com mais segurança e de forma mais leve tanto a minha vida pessoal quanto a profissional”.